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Friday, August 22, 2014

Fábio Haendel lança CD musical em parceria com escritores




O lançamento do CD "Nuvens" será no dia 13 de setembro, às 20h, no Teatro do Goethe Institut - ICBA, com participações especiais dos escritores Kátia Borges, Nílson Galvão, Mariana Paiva e da cantora Illy Gouveia

Não é comum que se escreva um release na primeira pessoa. Mas tomei, sem cerimônia, a liberdade. Tive a oportunidade de conviver com Fábio Haendel e percebi que ele é ser humano privilegiado pelo fato de ter a arte como salvadora dos dias em qualquer tempo e espaço. Não é à toa que Haendel é visivelmente inquieto. Possui radares e antenas magnetizadas que emitem informações em cadernetas espiral baratas.

Vejo o homem que alcança lugar próprio, levado pelos pincéis e lápis com o que desenha quadrinhos em movimentos cada vez mais crescentes pela prática de ilustrar livros. E aponto também o trovador urbano que cospe quadras, versos, repentes, emboladas. Bardo, rápido no gatilho do pensamento. Alinhava o poema na canção pra enfrentar tantos desafios: os de hoje e os de outrora. Assim vai limpando a dor de alma, entende a sina e se reinventa aprendiz do mundo pela arte.

Para tanto é preciso coragem, homem. Como se pode perceber no segundo CD de Fábio Haendel, "Nuvens", que tem a direção artística de Thiago Romero com co-direção de Georgenes Isaac e a produção musical de Braulio Passos. A produtora Lígia Benigno assina a coordenação geral.

Fábio (voz, violão e gaita) apresenta um trabalho medido e pensado a partir do número de faixas: são oito canções divididas em autoria e participações. Entre apostar na liquidez da sonoridade fácil ou marcar território próprio, ele opta pelo caminho árduo da geografia do mercado fonográfico, arriscando a chance de imprimir a verdade do artista cancioneiro. Acompanhado pelos músicos da banda base, Estevam Dantas (piano), Pedro Dantas (bateria), Henrique Duarte (baixo), João Trevisani (guitarra) e Saulo Tupinambá (percussão), e participações de Willyto Haendel (baixo acústico), Mário Soares (violino), Ivan Sacerdote (clarineta), Fabrício Dalla Vecchia (trombone), Gil Mário Santos (trompete) e Willy Haendel (violão clássico e bandolim), "Nuvens" chega pra fazer dançar, pensar, celebrar a novidade e não faz mal a ninguém.

Nuvens - Histórias das faixas
"Nuvens" (Fábio Haendel) - é faixa inicial, uma balada  que já anima e manda verbo: "aquele que mesmo vendado ver o real e segue o sonho de um doido marginal; estava escrito na testa, mas você não entendeu; diante do espelho viu o contrário do que leu".
"Cada Cabeça"  (Fábio Haendel) - é um mundo onde cabe todos e esta criação. " De grão em grão escrevo uma canção; cada cabeça é um mundo de sentimentos profundos; então use sua imaginação".

"Curta Metragem" (Nílson Galvão e Fábio Haendel) - com o poeta e jornalista Nílson Galvão é batida de trilha sonora para western latino com metais de Ivan Sacerdote (clarineta), Fabrício Dalla Vecchia (trombone) e Gil Mário Santos (trompete). Nem todo mundo se vende por um punhado de dólares. "O abre alas de histórias ínfimas, eis o filme, sangue do filme, eis o dia, na vida de ninguém,  sua saga pela cidade, singrando a manhã, riscando na pedra de manhã, essa história qualquer de uma luz, eis o homem".

"Vestir despir" (Fábio Haendel) - é outra balada pra tocar no rádio e a gente cantar no carro, mas também enquanto escolhe o figurino do dia ou da noite. "Vestir ou se despir o importante é saber por onde ir; cada um tem seu ponto de vista; se vista de acordo com que você acredita; o diferente é o louco e o normal é o igual na sociedade das aparências".

"Sábios Blues" (Nílson Galvão e Fábio Haendel) - também na companhia do poeta Nílson Galvão - quem toca violão e gaita tem presença de blues no gingado e na alma e o poema de Galvão não é raso. "Daremos um jeito, durante o mergulho, de sermos banais como todos os seres que somem na areia, na areia sem dono sem deus, sem razão, sem fazer do desejo essa cruz".

"Poemas Sonhados" (Mariana Paiva e Fábio Haendel) - parceria com a escritora e jornalista Mariana Paiva. Divide vocais com a cantora Illy Gouveia. Uma balada country em nome do pai e do filho para o encontro do bandolim e gaita dos Haendel  (Willy é criador e Fábio é cria) - "sonhei com poemas que preferi não despertar para escrever; desculpe pelas palavras rudes que machucaram, eram uma tentativa desastrada de encostar em você; e agora que está provado que eu te machuco e que você me machuca, que nós dois, ainda existimos mesmo".

"Beleza moça" (Kátia Borges e Fábio Haendel) - é um poema musicado da escritora e jornalista Kátia Borges. Vai soar como provocação para quem prefere se plastificar à envelhecer dignamente. Os versos lembram à moça, que beleza "é barco que parte" e adverte, "não tente atracar a sua num cais de botox". E a poesia é também o som do violino do músico Mário Soares, do bandolim de Willy Haendel e do baixo de  Willyto Haendel.

"Morro do submundo" (Fábio Haendel) - é rock n' roll com o privilégio de solos de gaita e piano, além dos sopros do trio Ivan Sacerdote (clarineta), Fabrício Dalla Vecchia (trombone) e Gil Mário Santos (trompete). "Vai subindo o morro do submundo, vai sumindo as cartas dos donos do mundo e eu já cansei desse assunto de procurar os pedaços perdidos no fundo... Subindo de escada ou de morro tem sempre alguém pedindo socorro... É melhor morar no mato com jacaré do que ser um pato com ratoeira no pé". Tá ligado?

FICHA TÉCNICA
Composições, voz, violão e gaita: Fábio Haendel
Músicos:
Baixo- Henrique Duarte
Guitarra- João Trevisani
Vioão e bandolim- Willy Haendel
Piano- Estevam Dantas
Bateria- Pedro Dantas
Percussão- Saulo Tácio
Produção Musical: Bráulio Passos
Cantora convidada: Illy Gouveia
Direção artística: Thiago Romero
Co-direção: Georgenes Isaac
Iluminação: Luiz Guimarães
Poesias: Mariana Paiva, Kátia Borges e Nilson Galvão
Preparação vocal: Marcelo Jardim
Programação Visual: Vika Lima
Vídeos: Paulo Bittencout
Textos: Maristela Sena
Coordenação de Produção: Lígia Benigno

SERVIÇO:
O QUÊ: Lançamento do CD "Nuvens" de Fábio Haendel
QUANDO: 13 de setembro, sábado, 20h
ONDE: Teatro do Goethe Institut- ICBA - Corredor da Vitória, Salvador-BA
QUANTO: R$20,00 (inteira+CD)
CONTATO: Lígia Benigno (71)3018-6062/9272-0745 (tim)

Tuesday, June 03, 2014

Sarau da Paz tem segunda edição com muita poesia




Promovido pelo Espaço Avançar, acontece dia 11 de junho de 2014, a partir das 16 horas, na Escola Estadual Mestre Paulo dos Anjos, no bairro da Paz, em Salvador-BA, o esperado Sarau da Paz, com música, teatro, dança e recital poético com Valdeck Almeida de Jesus, Varenka de Fátima Araújo e convidados.

Para Valdeck Almeida, o evento é uma porta para se conhecer a arte dos moradores do bairro. Confira declaração: “Conheci hoje uma das fronteiras desta cidade desigual. Salvador é loteada, esfacelada, murada por todos os lados. A má distribuição da renda nacional se reflete aqui de forma violenta. Enquanto prédios de trinta, quarenta andares brilham ao nascer do sol, bairros inteiros são apartados, escondidos pelos espigões. E com avenidas que mais parecem rios envenenados, como definiu Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá quando de sua visita à capital baiana, a cidade mais parece uma teia de aranha com becos, vielas, ruas apertadas, e muito abandono.

O Bairro da Paz é um exemplo desse abandono. Nascido de movimentos de invasão, a região é a cara de outras partes da capital, onde as pessoas vivem em bairros-dormitórios, viajando, literalmente, todos os dias, para trabalhar e estudar no centro e em outras localidades de Salvador. Mas o bairro não se deixa isolar. Tem uma vida própria, com um comércio movimentado, igrejas de todas as denominações, moto-táxi, restaurantes, supermercados, farmácias, barzinhos e todo tipo de estabelecimento comercial. Possui linhas de ônibus, mesmo precárias e um povo trabalhador, lutador no dia a dia desigual desta cidade desigual. 

Apesar da desigualdade que se nota sem fazer esforço, o bairro vive e sobrevive como uma cidade dentro da cidade. Aliás, parece mesmo um outro lugar, uma outra realidade. Caminhar pelas ruas ainda é possível, sem o barulho de trânsito e sem a pressa da região central de Salvador, que parece caminhar sempre rumo ao esmo, com rapidez e sem olhar para os lados. No Bairro da Paz, ao contrário, o tempo dá para tudo, ainda bem. E tem muita arte ali.

Arte e educação, pessoas do lugar e de fora, que se juntam, se irmanam, em um trabalho belíssimo, como é o exemplo do Espaço Avançar, onde se pode ler livros de autores consagrados e novatos, tem oficina de música e de teatro, tem orientação religiosa e educacional, tem poesia nas gavetas, mentes e bocas da juventude.

Que tal participar do mais novo espaço poético de Salvador? Não passe a 80km por hora na Paralela sem diminuir a marcha e conhecer o Bairro da Paz e o Sarau da Paz, que breve gritará poemas para os céus de Salvador...”

Serviço
O quê: Sarau da Paz
Quando: 11 de junho de 2014, a partir das 16 horas
Onde: Escola Estadual Mestre Paulo dos Anjos
Endereço: Rua da Resistência, S/N - Bairro da Paz, Salvador-BA, 41515-230
(71) 3367-8951
Informações: Leila Ferreira – (71) 8888-7018

Fonte:



Wednesday, August 07, 2013

Valdeck Almeida de Jesus participa do XI Parlamento de Escritores da Colômbia

Valdeck Almeida de Jesus e Renata Rimet - escritores brasileiros

O XI Parlamento Nacional de Escritores da Colômbia, que homenageia ao poeta Raúl Gómez Jattin, será aberto por Roberto Montes Mathieu (presidente do Parlamento de Escritores), Joce G. Ganiels (presidente da Associação de Escritores da Costa) e Dionísio Vélez Trujillo (prefeito de Cartagena). O evento acontece de 14 a 17 de agosto, em variados locais na cidade de Cartagena das Índias e reúne autores colombianos e também da Argentina, Brasil, Camarões, Chile, Cuba, Equador, Espanha, México, Peru, Rússia, Suécia e Estados Unidos. Os autores farão leituras de poemas, debates, exposições, recitais poéticos e lançamentos de livros, dentre outras atividades. Valdeck Almeida de Jesus, baiano de Jequié, se apresenta dia 16/08, às 8:30hs, no Salão Marcela Jiménez do Centro Tecnológico Colégio Mayor de Bolívar, onde fará leitura do livro “Memórias do Inferno Brasileiro”.

Homenageado
Raúl Gómez Jattin (Cartagena de Índias, 31 de maio de 1945 – 22 de maio de 1997), foi um poeta colombiano. Viveu sua infância em Cereté, um pequeno povoado ao norte da Colômbia, onde foi professor de Geografia e História. Aos 21 anos se mudou para Bogotá, onde começou a estudar Direito na Universidade Externado de Colômbia. Ali também se dedicou ao teatro, participando como ator em várias montagens e fez adaptações de obras literárias publicadas na revista Puesto de Combate. Cinco anos depois, mesmo sem concluir o curso de direito, voltou a Cereté, onde viveu perambulando pelas ruas, passou várias temporadas em clínicas psiquiátricas e se dedicou a escrever poesia. Em 1989 mudou-se para Cartagena onde viveu pelas ruas e praças, passou outras temporadas em clícinas psiquiátricas e foi preso várias vezes. Em 22 de maio de 1997 morreu atropelado por um ônibus, sem que se possa determinar se foi acidente ou suicídio. Obras publicadas: Poemas (1981), Retratos (1980-1989), Amanecer en el valle del Sinú (1983-1989), Del Amor (1982-1987), Hijos del tiempo, Esplendor de la mariposa (1993), Los poetas, amor mío... (1999) e El libro de la locura (2000) – estes dois últimos livros póstumos.

Convidado
Valdeck Almeida de Jesus (1966) é jornalista, funcionário público, editor, escritor e poeta. Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, Embaixador Universal da Paz, Membro da Academia de Letras do Brasil, Academia de Letras de Jequié, Academia de Cultura da Bahia, Academia de Letras de Teófilo Otoni, Academia Nevense de Letras, Ciências e Artes – ANELCA, Poetas del Mundo, Fala Escritor, Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz e da União Brasileira de Escritores. É presidente do Colegiado Setorial de Literatura para o biênio 2013/2014, junto à Fundação Cultural do Estado da Bahia, entidade ligada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Publicou “Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden”,Feitiço contra o feiticeiro”, “Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia”, “30 Anos de Poesia”, “Heartache Poems”, ”Yes, I am gay. So, what? – Alice in Wonderland”, “O MST e a Mídia: uma análise do discurso sobre o Movimento dos Sem Terra nos jornais A TARDE online e O Globo online” (co-autor: Jobson Santana), dentre outros, e participa de quase cem antologias. Organiza e patrocina o Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Literatura, desde 2005, o qual já lançou mais de 1000 textos de poetas do Brasil, África, Portugal, Estados Unidos, Venezuela, Suíça, China, Japão e outros. Colabora com os sites Favas Contadas, Artigonal, Web Artigos, Recanto das Letras, Portal Literal, Portal Villas, Pravda, PodCultura, Overmundo, Comunique-se, Dzaí, Difundir, Jornal do Brasil e Só Artigos. Tem textos divulgados nas rádios online Sol (Diadema-SP), Raiz Online (Portugal) e CBN (Globo). Site: www.galinhapulando.com

Lista dos participantes
Valdeck Almeida de Jesus, Delia Rosa Bolaño Ipuana, Adriana Rosas Consuegra, Alejandra Moreno Aswood, Álvaro Suescún, Astrid Sofía Pedraza, Dina Luz Pardo Olaya, Fabio Ortiz Ribón, Jorge Leon Álvarez Pretel, Margarita Lucía Veléz Verbel, Patricia Pacheco Sánchez, Yajaira Pinilla, Adriana Sotelo Sánchez, Andrea Vesga Gámez, Andrés Elías Florez Brum, Andrés Felipe Sánchez Suarez, Camila Charry Noriega, Carolina Mogollón Lozada, Edier Gustavo Quijano Hernández, Eulin Andrea Sánchez Vergel, Fernando Alberto Celis Herrán, Jafitza Bautista Quipo, Laura Patricia Moya Flórez, Marco Antonio García H, Roberto Montes Mathieu, Victoria de Hoyos, Wilmar Edinson Martínez Cuervo, Clara Schoenborn, Miltón Fabián Solano Samudio, Wilbor Pérez Paternina, Beatriz Gutiérrez, Celso Emiro Montoya Palencia, Cesar Pion González, Clarisel Mendoza Ladeus, Dora Isabel Berdugo Iriarte, Doriani Mendoza Castillo, Juan Rogelio Franco Hernández, Laura María Villarrreal Rhenals, Rafael Eduardo Yepes Blanquicet, Ubaldo Elles Quintana, Zaida Montiel Rodríguez, Gustavo Tatis Guerra, Antonio Botero Palacio, Miriam Castillo Mendoza, Delfín Sierra Tejada, Zoila Rosa Pérez Suescún, Héctor Zapata, Mónica Aymé Hernández, Edgar Trejos, Nohra Pérez Granada, Alirio Quimbayo Duran, Sarita Pérez Rey, Andrea Paola Cruz Devia, Natalia Vanessa Ramírez Peña, Nicholl Andrea Sosa Rivas, Ingrid Lizzete Sierra Leal, Antonio Dumett Sevilla, Luis Haroldo Turizzo Jiménez, María Irene Ángel Agudelo, Antonio Mora Vélez, Felix Manzur Jattin, Danith Lucio Urango Tuirán, Rubén Darío Otálvaro, Galo Alarcón Montería, Serafín Velásquez, Gladys Durán Daza, Luís Armando Botina Castro, Fabrina Acosta, Lindantonela Solano Mendoza, Alma Rosa Terán Tirado, Alfonso Hamburguer Sincelejo, Ignacio Eduardo Vélez Verbel, Diego Camilo Vargas Zambrano, Álvaro Maestre García, William De Ávila Rodríguez, Ana Beatriz Aguirre Castillo, Freederico Luis Baggini, Elva González García, Gladys Beatriz López Pianesi, Ricardo Fidel Linares, Hilda Augusta Schiavoni, Melina Beatriz Godoy, Silvia Elena Verenego Prack, Milagros Sefair Verenego, Marcel Kemadjou Njanke, Gladys Solangel Mendía de Gajardo, Yanelys Encinosa Cabrera, Mae Betancur de la Torre, Jacqueline Coquies Maestre, Mariano Salcedo Zaragoza, Nayelis McManus, Anaïs Blues, Francisco Adriano León Carrasco y Milagros, Sebastian Ufor Flores, Jurvy Pool Carbajal Vásquez, Anastassia Espinel Souares A, Arturo Francisco Barreira Marin, Denise Oyuki Smith, Madeleine De Cubas e Antonieta Villamil.

Serviço
O que: XI Parlamento de Escritores da Colômbia
Quando: 14 a 18 de agosto de 2013
Onde: Cartagena (Colômbia)





Wednesday, December 14, 2011

AURÉLIO SCHOMMER É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS


Valdeck Ameida de Jesus (dir) e Aurélio Schommer
foto: Renata Rimet

Gaúcho de Caxias do Sul, Aurélio Schommer não gosta de viajar. Mora na Bahia, onde atuou pela primeira vez como jornalista em Barreiras, distante 800km da capital, Salvador, cidade na qual reside atualmente. Mas é na literatura que ele se completa, escrevendo sobre fatos reais ou ficcionais. Não gosta de poesia, para não dar “enter” a todo momento e porque não acredita em criação metrificada e rimada. O texto do Aurélio flui quando se trata de “relaciones de pareja”, ou relacionamento humano, mais precisamente conflitos amorosos e a vida pulsante, viva. O leitor, para ele, é onde o escritor se imortaliza, por isso não consegue escrever sem pensar em quem vai ler... Prefere escrever sobre sentimentos, sexo, embora tenha se dedicado pouco, por causa da onda politicamente correta. Um de seus ídolos? Nelson Rodrigues. Medo? Da velhice, para não “voltar” à infância, da qual não tem boas recordações.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
AURÉLIO: Em Caxias do Sul-RS, em 1967.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
AURÉLIO: Não gosto de viajar. Conheço de vista grande parte do Brasil e com maior profundidade o interior da Bahia, o Rio de Janeiro e a região natal.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
AURÉLIO: Como jornalista. Minha primeira atuação profissional foi em 1992, no semanário Novoeste, de Barreiras-BA.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
AURÉLIO: Faço ficção e não ficção. Ficção é mais divertido, sem dúvida, embora nem sempre seja mais fácil. Poesia não gosto de fazer. Limitar ideias por rima ou métrica ou mesmo ficar dando “enter” nas linhas o tempo todo não me faz muito sentido.
Escrevo sobre qualquer tema, tanto na ficção como na não ficção. O que mais me agrada? Relaciones de pareja, como se diz em espanhol. O jogo de afetos, com os conflitos e ilusões envolvidos, é muito instigante. O “amor”, na falta de palavra mais apropriada, é muito engraçado.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
AURÉLIO: Tenho o compromisso de tentar prendê-lo, agradá-lo, dizer algo que lhe desperte algum sentimento, seja qual for. Eu penso no leitor o tempo todo quando escrevo. Não escreveria se não houvesse a perspectiva de haver um leitor do outro lado da mensagem. Ser lido é tudo, é a forma de imortalidade mais interessante.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
AURÉLIO: Como já disse, ficção. Se tiver liberdade total (não for para público infanto-juvenil, puder ridicularizar os personagens e situações à vontade) tanto melhor. E, confessando, o erótico é fantástico em termos de satisfação. As perversões sexuais dão ótimos enredos. Não por acaso meu ídolo na literatura é Nelson Rodrigues. Se houvesse um público maior para o romance erótico, eu só faria isso. Infelizmente, estamos numa época muito pudica, politicamente correta, em que o erótico é visto como sexista. Por isso, tenho limitado o sexo em meus últimos livros ao beijo na testa.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
AURÉLIO: A inspiração é importante, e no meu caso surge com facilidade. Posso fazer um romance com muita inspiração, situações instigantes, em duas semanas, e fica bom. Mas o mais importante não é a inspiração. É tempo para me dedicar à escrita. É o que mais me falta. O ambiente é importante, mas não é essencial.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
AURÉLIO: A obra predileta é “O padre novo”, romance inédito. Tem um achado que gosto muito: “Povo é todos aqueles não listados entre os ricos, os poderosos e os esquisitos”. É impressionante como tem gente que se autoencaixa nos “esquisitos”.

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
AURÉLIO: Dificilmente reescrevo. Reviso muito, troco palavras, evito repetições, mas não gosto de jogar páginas inteiras fora. Escrevo rápido, muito rápido.

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
AURÉLIO: Foi o primeiro romance, “Maristela”. Demorei dois meses e meio, uma eternidade. Estava inseguro, era o primeiro, só por isso. Não por ter demorado, mas porque acabou ficando interessante mesmo, é a obra mais vendida minha até aqui.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
AURÉLIO: Sim. Literatura para mim não é carreira. É uma tentativa de chegar ao leitor. Como carreira, tenho o serviço público, basta.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
AURÉLIO: Além de Nelson Rodrigues, Machado de Assis. Ultimamente, Pedro Mexia.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
AURÉLIO: Você pode ser claro e ser bom, ou ser ruim. Pode ser obtuso e ser bom, ou ruim. Pode ser breve e ser bom, ou ruim. Pode fazer experimentações e ser bom, ou ruim. Não há uma receita, espero que nunca haja. Eu não gosto de usar clichês, mas há quem use e faça um enorme sucesso, até ganhe o Jabuti. Há quem construa tramas óbvias e ganhe o Nobel. E há Umberto Eco, há Machado, há Nelson. Eu gosto desses, não daqueles, mas há quem goste do contrário. Enfim, não há nada imprescindível.

VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, por não usa um pseudônimo?
AURÉLIO: Não uso o nome completo. Nem divulgo, nem quero que seja divulgado. O cidadão com o nome completo não deve se misturar a Aurélio Schommer, que não é um pseudônimo, é parte de meu nome completo, mas exerce uma função social. O do nome completo é reservado.

VALDECK: Como foi a tua infância?
AURÉLIO: Não foi muito boa. Vivi mal a infância. Não por culpa de alguém, longe disso, a família foi maravilhosa comigo. Simplesmente foi uma fase ruim da vida. O adulto saiu-se bem melhor. Temo assim pelo surgimento do velho (está próximo). Terá uma tendência a regressar à infância. Por outro lado, sinto que o melhor momento ainda está para ser vivido.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
AURÉLIO: Estou longe de ser jovem, em todos os sentidos. Se passei essa impressão, é falsa. Não tenho tido muito tempo para diversão. Mesmo assim, forço pausas para pequenas diversões todos os dias, ou quase todos.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
AURÉLIO: Texto meu? Bem, teve um que fiz para o Novoeste, em Barreiras, sobre uma rebelião estudantil na Escola Estadual Padre Vieira em novembro de 1992. Mexeu com todo o universo escolar, recebi visitas particulares da diretora, de professores, de estudantes, a cidade voltou os olhos para minha matéria.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
AURÉLIO: Sim, sou servidor público federal.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
AURÉLIO: Não. Não existe algo em que eu acredite decididamente a ponto de pensar em proselitismo. Escrevo porque me dá prazer conversar com o leitor, não por uma causa. Até gostaria de ter uma causa, uma mensagem, mas toda vez que penso numa sobrevêm falácias. É difícil encontrar uma ideologia que não contenha falácias. Eu ainda não encontrei nenhuma.

VALDECK: Qual sua Religião?
AURÉLIO: Católico apostólico romano. Falho no proselitismo (não faço muito), como afirmei acima, na frequência às missas, mas não tenho outra religião e estou muito feliz com a minha. Ah, importante. Não é minha religião de infância, de berço, de adolescência. Sou um ateu convertido ao catolicismo.

VALDECK: Quais seus planos como escritor?
AURÉLIO: Escrever. Se possível, eternamente, mas isso ainda não é possível. Quem sabe não inventam a pílula da imortalidade biológica. Se isso acontecesse, poderia escrever para sempre e acho muito provável que o fizesse.

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com

FonteS:

Saturday, September 18, 2010

ANTOLOGIA EM LÍNGUA PORTUGUESA

HOMENAGEM a POETAS PORTUGUESES

1 – A antologia Homenagem a Poetas Portugueses visa valorizar a língua portuguesa e divulgar os novos artistas da palavra de Portugal no Brasil e nos países lusófonos, através da publicação, divulgação e intercâmbio de poemas entre estes países.

2 – A adesão acontece até 30 de outubro de 2010, através do e-mail valdeck2007@gmail.com (poesia de até 20 linhas, minibiografia de até cinco, endereço completo, com Código Postal e fone de contato), bem como o pagamento de R$ 200,00 (duzentos reais), depositados na conta:

VALDECK ALMEIDA DE JESUS
BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA 4881-X
CONTA CORRENTE 105 257 8

3 - A poesia não precisa ser inédita, versando sobre temas relacionados a Portugal (exceto apologia ao uso de drogas, conteúdo racista, preconceituoso, propaganda política ou intolerância religiosa ou de culto). Cada autor responderá perante a lei por plágio, cópia indevida ou outro crime relacionado ao direito autoral. A inscrição implica concordância com o regulamento e cessão dos direitos autorais apenas para a primeira edição do livro.

4 – Cada autor receberá, via correios, cinco exemplares do livro cuja taxa de envio já está incluída no valor da inscrição. Sugere-se que os poetas criem um blog para divulgação dos seus poemas. Os casos omissos serão decididos entre autor e promotor do evento.

5 - O autor que desejar adquirir exemplares extras do livro deverá fazê-lo com o organizador.

O organizador diligenciará o lançamento do livro durante a Bienal do Livro da Bahia, em abril de 2011, no estande da Câmara Bahiana do Livro, caso a obra fique pronta a tempo. A antologia será lançada no estande Giz Editorial, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em setembro de 2011.

MAIS INFORMAÇÕES:

Valdeck Almeida de Jesus
Tel: (71) 8805-4708
Site do Organizador: http://www.galinhapulando.com/

Wednesday, September 16, 2009

Poesia baiana em Sampa


O escritor Valdeck Almeida de Jesus é um dos participantes do encontro anual dos Poetas Del Mundo.

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A festa literária vai acontecer dia 21 de novembro, na Casa das Rosas, endereço privilegiado da cultura brasileira, organizado por Elisabeth Misciasci, Embaixadora Universal da Paz e Cônsul da cidade de São Paulo dos Poetas Del Mundo. Ali serão debatidos temas relativos ao universo do livro e da poesia. A abertura fica por conta da Dra. Delasnieve Daspet, sub-Secretária para as Américas.
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Valdeck Almeida de Jesus é membro da entidade e vai representar a Bahia. O evento é aberto a todo o público e tem como principal objetivo divulgar obras da literatura brasileira e mundial, além de provocar os participantes a responder: Qual a postura atual do poeta na sociedade; Quais os paradigmas da poesia contemporânea; Qual a colocação da poesia no Mercado Editorial Brasileiro.
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O Encontro da Poesia Paulista e o Encontro Anual do Poetas del Mundo do Estado de São Paulo será uma verdadeira Convenção da Poesia, posta em debate por todos os agentes que atualmente fazem a arte poética ser viável: leitores, editores, livreiros, jornalistas, professores, estudantes, críticos e colunistas literários etc. A interação entre o público e renomados escritores visa ampliar o gosto pela leitura, estimular o intercâmbio cultural e ampliar as fronteiras da arte.
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O Poetas del Mundo é um movimento que pretende impor a voz do Poeta na sociedade, e por isso mesmo todos os membros, Cônsules e Embaixadores estão oficialmente convidados a participar, sendo de São Paulo ou como convidados visitantes, de outros Estados.
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VALDECK ALMEIDA DE JESUS, 43, Jornalista, também é funcionário público, editor de livros e palestrante. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros. Participa de mais de 30 antologias. É organizador e patrocinador do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005. Expõe seus textos no site http://www.galinhapulando.com/ Contato: valdeck2007@gmail.com

Tuesday, September 01, 2009

Fragrâncias e Ordenhas Historiais em “As Espirais de Outubro”, Romance de Whisner Fraga

“Mas não se preocupe, meu amigo/
Com os horrores que eu lhe digo/
A vida realmente é diferente/
Ao vivo é muito pior...”

(Belchior)

Aila, personagem principal narradora-memorialista do romance “As Espirais de Outubro”, ora no passado, ora no presente, ora no futural (o Nobel de Literatura brasileiro), ora um sem tempo ou tempo nenhum, o que dizer dela? Implicações, reinações, florações. Respigando. Paradoxos, ossos e ócios do oficio de ler-ser-escrever-ter-se (tecer-se). Brilhante romance como se fosse escrito a ferro e afago; escrito como uma espátula impressionista a arrancar fios, recalques, tiras, simulações, descaminhos, espirais – da vida-obra-livro: Aila ela mesma no fim do seu íntimo outonal.

Tantos personagens-páginas vão e voltam, estão e soam, dizem, costuram elementos-paisagens e assim compõem a estrutura narrativa do belo romance do Whisner Fraga, já autor de Coreografia dos Danados (Edições Galo Branco 2002), e A Cidade Devolvida (7 Letras, 2005). A intimidade devassada pela velha escritora em um apartamento no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. O nome do bairro já alude a um rasgo de incêndios revisitados pela ótica da narradora-personagem querendo assim alumiar resquícios de vida louca, personagem de si mesma em agonia a esperar um fim, sem ter se dado um fim em si mesmo, preferindo prolongar a agonia de viver no que escreve, mesmo negando isso. Nas reminiscências ficando a sua espécie assim de continuação... Como se ordenhasse as ovelhas das memórias recapituladas em prosa poética, mas com estilo, qualificação, ora desbunde, ora rancor, sempre o que foi (tem sido) naquilo que agora expropria entre erranças associadas, heranças historiais e inventários de si mesma no camarim das horas e honras indispostas. Penumbras.

A melhor obra é quando o próprio autor morre no final? Mortos acompanham a obra de Aila/Whisner. Um cortejo de palavras, tristices, corpos, danações. Fantasmas pontuando parágrafos como se querendo compor lidas adjacentes, a colocarem pingos em dáblios, não em is. O apartamento. A cidade. Tudo ali, vida em viço, o inicio, a composição de, depois o estado decrépito, erros e acertos, fragrâncias e decomposições. O câncer, o Nobel, o diário-romance (reinventando a vida em declínio?), lembrando aqui e ali Clarice Lispector, ora Hilda Hist, ora Lygia Fagundes Telles, mas sempre ele mesmo Whisner com talento e maestria levando a correção do livro e à corrosão de uma vida-personagem enlivrada. O diabo mora nos desfechos? Mergulhos em maldições. A coitada da vez tendo voz-escrita. Não tem como não se encantar com Aila. A mulher carregando a violência, quase incapaz de domá-la, no entanto com trejeitos peculiares costurando-a nas contações, domando, por fim, a ordenha de momentos, fragmentos, destilos, despojos, jorros narrativos da feia e fera se entregando de mão beijada. Tem um toque poético e um jeito que cutuca um enfoque meio Nelson Rodrigues em certas paragens-interpretações do sentimento ledor, da existência-monstro-poderoso com brincadeiras e perversidades. Ai de ti Botafogo!

A espera pela morte, da morte. Familiares reduzidos a momentos e sentenças. Amigos catados de escombros, e ainda assim dando alguns suportes afetivos. Personagens-relações transfigurados, compondo o cenário de amor, dor e de horror com reticências. Será o impossível? O ar abafadiço estaciona na memória requentada. Os vazios da rotina. O livro-filho-continuação. Presenças e ausências ressentidas. Janelas da alma no quarador de tantas implicações, alguma de fundo falso. Lugares fechados, sombrios. Pés enxofrados das palavras-libertações. O mesmo lugar, lugar nenhum, qualquer lugar em si mesmo.

Você, na correria estúpida da vida in Sampa também embrutecida, quer ler o livro do Whisner Fraga de supetão, não consegue. É corrompido a ler como um desgaste de ferrugens da alma da Aila, é levado a parar, truncar, ir e voltar, rever, como se arrancasse suas próprias espirais e tivesse que adentrar àquele mundo criado lento, devagar, aos poucos, na prosa poética que seduz, cativa, aponta dedos em faces que ora chegam, ora saem, entrecortando parágrafos como se tudo fosse uma balburdia literal de acasos, ocasos e pertencimentos querendo ser avaliados, feito desespelhos. Memórias sangram palavras. Não é fácil procurar culpados, pior, achá-los. Não se podendo parir um filho, poder parir um livro, não deixando um legado de horror-filho mas um legado de reconciliação-livro. Escrever continua sendo mais fácil do quem existir.

O pai, a mãe, Augusto, Catarina, Karina, Adriano, Fabrícia, todos (presenças arrebanhadas), a cara e a corrosão da autora-Aila em parecenças. Iguais diferentes? Cada um com sua cruz-crusoé, ilha-alheamento. Nós. Suicídio, indiferença, a faca da linguagem cegando, instantes-trevas. Vaidades antigas, corpo em desalinho, embriagações em memórias talvez inventadas. O ser-não-ser? Clandestinos amores, ecos, zelos, não há lógica na mortevida, no destino, apenas capitulações, vestígios de ausências, exercícios de perdas. A morte sendo preparada em livro. A freira, o homossexual, a vida boêmia, o Rio de Janeiro continua límpido. Entre sombras amealhando curtumes. O diário-monólogo, o último ato antes de. Qualquer coisa. Espirais. Maldições e coitados tendo voz. Por eles, por Aila mesmo, em recomposições a espera do final que certamente virá. Melancolia. Sentimento de esterilidade frente ao que passou, se passou (se passou?), foi, está, virá, é cruz-destino. A campainha. O telefone. A vida-fera e o recolhimento antes do último suspiro. Veias de comunicações in-terrompidas...

“...a cidade decadente, cinza, com suas baías comprometidas, fétidas, os rios acuados no meio de uma civilização agressiva, o mal que fizemos escancara-se por todos os lados” (Pg 36). Os poros da Aila ela mesma essa cidade que narra. Não pode sair de si, mas pode expandir-se no que corajosa destila, escreve, nomeia, delata, conta, romanceia na metalingüística de escrever sobre o que descreve. O desmanche de coisas que não quer que migrem para o vazio. Escrever é ficar de alguma maneira entre rascunhos e escritas-momentos?

Carcaças agônicas preenchendo vazios. Não ser esperada e não esperar. Muito triste. Escreve para se ter consigo mesma. Ah o self.

“A morte se aproxima e polvilha sobre a minha cabeça todas as faltas arrebanhadas, exige um balanço final ou um prelúdio para o encontro fatal, quando me cobrarão erros” (Pg 52). A longevidade desastrosa, as situações obsessivas, conflitos, filtros de. Um romance sobre a escrita dele. Memórias vasculhadas. Rascunhos e originais. A preparação para o desfecho bendito/maldito. Os loucos são especiais pra Deus? Há um Deus? Viver é a qualquer custo? Sobreviver tem um preço, dói desatinadamente. E re-eescrever o subViver, feito mesmo assim um escreViver? Prazer Prozac de viver? A consciência do Zero.

“Essa palavra tão banalizada, nada pode acrescentar à história que não seja dúvida” (PG 108). Nomeações que seriam (foram) imprudentes. Pondo o dedo com indisfarçável rancor (negado) em feridas revisitadas. Consciência pesada e vaidade leve. O querer não querendo. O desdizer. O negar afirmando. Contundências. O desgosto de lembrar, pior, ter que lembrar para auditar (auditar?) o que foi real e o que deveria ter sido, poderia ter sido, só o é no que nomina sob disfarces e a expectativa do fim, no camarim da vida se extinguindo...

“Como explicar ao filho o mecanismo do patinete? A escolha do galho da goiabeira mais propício à construção do estilingue(...)” (Pg 122). O futuro na morte resgatando a obra que ficou... O filho que não teve (drumondeando) e fez-se livro?

Um Dia, pré-final: romance misturando descrições e evocações, imaginário e aventuroso, contradições, o alterego, licenças poéticas, tudo tirado do mesmo final. Feliz ou infeliz? Ler pra saber. Isso fica com a sensibilidade atiçada do leitor no envolvimento, ele também um reinventor do que lê, pelo que pensa, sente, aquilata, do que tem de bagagem e gosto por leituras de peso. O romance As Espirais de Outubro é sim, um clássico. Um esgotamento de sensibilidade depois das páginas-lágrimas, vidas-personagens, verdadeiros espirais do talento e da sensibilidade do Whisner Fraga, num trabalho também de edição de belíssima qualidade sob a Coordenação Editorial do Valentim Facioli. Leia e sofra. Leia e viva. Leia e grude. Leia e curta. Leia e sinta por você mesmo. Leia e deguste o final do romance que na verdade não se enquadra assim a priori em estilo nenhum, é um trabalho literário mágico falando das incongruências da vida levada a reboque. Dor e agonia. Criação e criatura. Ah que bom que, assim como o passado tem asas, o escritor tem uma linguagem edificante, toda própria. O fazer falando do fazer. Todo bom escritor é isso: esperar que o leitor de alguma forma e por um seu motivo também morra no final. Saí mais leve dessa leitura-vida-e-morte. Em algum lugar do passado, em algum lugar do presente, aqui no livro-lugar do futuro. Ah as espirais do tempo-rei...

Silas Correa Leite – Escritor, Jornalista Comunitário, Teórico da Educação, Conselheiro em Direitos Humanos, pós-graduado em Arte e Literatura na Comunicação (ECA/USP) - E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net Autor de “Campo de Trigo Com Corvos”, Contos, Editora Design, finalista do Prêmio Telecom, Portugal, à venda no site www.livrariacultura.com.br

Você já leu Memorial do Inferno, de Valdeck Almeida de Jesus?

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