Saturday, May 08, 2010

Carlos Conrado entrevistado por Luciana Tannus

Foto: Valdeck Almeida (esq.) e Carlos Conrado



Carlos Conrado é poeta, escritor, humanista, desenhista, diagramador... enfim, um artista multifacetário. E é com muita satisfação que este poeta me concedeu uma entrevista a respeito de seus trabalhos, sonhos e realizações no campo Literário. Já publicou 2 livros de poesias e está preparando seu primeiro romance intitulado “O Numismático”.

Conrado, quando e como você descobriu a poesia em sua vida?
Bem, essa lembrança permanece nítida em mim. Foi através de um primo meu. Ele me apresentou os poetas Castro Alves, Camões, Álvares de Azevedo e Bocage quando eu tinha somente 11 anos. Ele escrevia e me incentivava a escrever. A princípio desenvolvendo cartas as quais sempre trocávamos, devido à distância. Eu morava no interior da Bahia e ele em São Paulo. Seu nome é Thiago Amorim!

Dediquei-me mais a poesia quando conquistei meu primeiro prêmio literário promovido pela Entidade Dignus Day de Lages do Batata-BA, no ano de 1999.

De que forma se dá, o seu processo de criação?
Pode parecer um tanto estranho, mas eu adoro fazer pesquisas antes de criar qualquer texto, mesmo que seja algo puramente lírico. O conteúdo está em mim, muitas vezes, mas a técnica de construção, prefiro que seja de forma experimental. Os livros didáticos e as técnicas já criadas me servem para serem embaralhadas futuramente. Minhas temáticas variam muito. Sou uma pessoa com sede de conhecimento. Gosto de estar presente em todas as áreas. Sou adepto da personificação das coisas. Acredito ser um neosimbolista!…

Como você vê a poesia nos dias atuais?
Acredito que está cada vez mais distante do público alvo, que são os leitores comuns. Digo assim, pois, mesmo com todos os problemas, ainda temos o público que é o de poetas como nós! Escrever se tornou um exercício de escritor para escritor. Precisamos de políticas públicas de incentivo não só a leitura mais sim também a produção literária.

Você acha que existem leitores para a poesia?
Como já disse acima, o maior índice de leitores para a poesia está presente no universo daqueles que são criadores, assim como nós. Devo dizer também que uma minoria de leitores comuns faz com que nossa luta em prol desta arte não seja em vão.

Você sofreu influências de alguns escritores e poetas para o desenvolvimento de sua veia artística?
Os poetas mencionados acima foram minhas primeiras influências. Logo após, quando entrei para o corpo de Árcades da Arcádia Literária, conheci Augusto dos Anjos, Lord Byron, Baudelaire, e em especial, Fernando Pessoa, Blake, Cruz e Sousa. Fora do campo Poético, me encantei com as obras de Goethe, Fredrich Nietzsche, Sócrates e os sergipanos: Tobias Barreto, Silvio Romero, Mário Jorge e outros tantos do nosso vasto Brasil.

Possui livros publicados?
Sim! Quatro livros. São eles: Poesia Condenada, O Aeronauta Entre a Razão e a Loucura, Biografia de Áurea Albano Estevão de Souza e organizei a antologia poética A Plêiade – Tributo à Paz.

Tenho participação em antologias organizadas por outros escritores promotores de cultura. A exemplo: Valdeck Almeida de Jesus e Sandra Stabile. Acredito que minhas publicações em livros coletivos já ultrapassaram o número 10. Não gosto de fazer cálculos!... Publico meus textos em jornais e revistas também. Por algum tempo colaborei com o Jornal O Capital, aqui de Aracaju, liderado por Ilma Fontes. Também tinha forte abertura no Jornal O Liberal, de Laranjeiras, graças ao amigo poeta Emerson Maciel. Na Bahia, tive o privilégio de publicar em várias edições da revista ArtPoesia, liderada por Carlos Alberto Barreto. Também é de grande relevância para mim citar as publicações em 3 edições da revista internacional The Moon Ligth of Korea.

Não posso esquecer do trabalho à frente da revista Locozines – Revista da Cultura Emergente, a qual muito me permitiu ousar bastante.

Certa vez, eu assisti a uma performance sua em um evento de poesias na “Casa de Cultura”, aqui em Aracaju, e achei fantástica a sua apresentação. Como é aliar a poesia ao corpo e deixar fluir esse magnetismo de forma tão natural?
Moça! Rsrsrsrsrs. Até os meus 16 anos eu era um jovem tímido o suficiente para ter medo de mulheres que eu considerava bonitas e outras coisas totalmente bizarras. Melhorei meu comportamento graças ao teatro. O teatro liberta! Agradeço a atriz Tetê Nahas, pois ela fez um milagre em mim. Unir a poesia com o teatro me permite aproximar-me da mensagem lapidada a ponto de causar os incômodos que os textos muitas vezes procuram extrair dos seus ouvintes.

Sobre o seu livro “O Aeronauta”, o que o motivou a criação?
Confesso que me inspirei à criação deste meu livro, após ler a célebre obra de Erasmo de Rotterdam, “O Elogio da Loucura”. Erasmo foi um dos primeiros escritores que deu voz a Loucura. Sabendo da presença desta “enfermidade” no universo e dentro do meu Eu, acreditei ter ouvido da própria protagonista o pedido de fazer com que o seu canto prosseguisse. Sei que não sou o único a fazê-lo! Mas me esforço o bastante para ser fiel a ela.

Existe um trecho de seu livro “O Aeronauta” que diz o seguinte:

“(...) Quero cultivar a minha loucura sem ferir a ninguém. Quero a liberdade para gozar de todas as minhas faculdades. Quero a aceitação de todas as minhas diferenças (...)”

Você acha que isso seja possível no mundo de hoje?
Bem, fazer isto acarreta em várias consequências! Penso que o homem é mais feliz quando expõe seus verdadeiros sentimentos. Quando a expressão não for abafada pela nossa própria censura. É claro, fazer isto de forma a respeitar o quadrado do seu irmão. Mesmo que se siga o lema de Aleister Crowley, é necessário o respeito para com o próximo sempre!

Você publica na rede, em revistas eletrônicas e possui o seu blog. Você acha que a internet tem propiciado a difusão de suas obras poéticas?
Sim! É evidente que através da Internet a divulgação dos nossos trabalhos aumenta de forma voraz e eficiente. Se com livros impressos para chegar a 300 leitores, em média, necessitamos de meses, na Rede é possível conseguir atingir esta meta em apenas um dia. Paulo Coelho prova isto com o seu blog que recebe cerca de 3 milhões de visitantes por dia.

Você preside o Movimento Cultural A Plêiade. Fale um pouco a respeito disso.
O Movimento Cultural A Plêiade foi criado recentemente com a proposta de aglutinar militantes da cultura que, assim como eu, acreditam que o trabalho coletivo é mais forte que o trabalho de um homem só. O Movimento, além de buscar seus sócios, busca também seus representantes em cada uma das cidades brasileiras. São os chanceleres... nossos representantes legais, que têm como objetivo e dever promover e divulgar as ações culturais e sociais de sua cidade.

Nossa história começou no blog Dichtershaus, mas precisamente em 2006, a princípio como título de uma antologia organizada por Thiago Amorim e eu. Em 2009, em parceria com outros agentes culturais, vimos a necessidade de ampliar as nossas atividades. Criamos uma Rede Social no Ning, e já estamos projetando o nosso site para que haja um maior contato entre nós e que, também, venhamos divulgar as nossas produções.

Plêiade, palavra do latim que significa cada uma das sete estrelas que formam a constelação que era considerada favorável à navegação. No sentido figurado, é uma reunião de pessoas célebres, com profundo saber.

Existe algum projeto literário que você pretende desenvolver?
Muitos projetos rondam a minha mente! Para dá-los força até pensei em me candidatar como Deputado neste ano, no intuito de ganhar poderes para executá-los todos de forma a agradar todos os beneficiados. Independente de poderes maiores, faço e continuarei a fazer a minha parte. Organizo o evento Tertúlia, juntamente com os escritores Luiz Lyrio, Gigi, Luciana Tannus e a Presidente da Arcádia Literária e minha companheira, Talita Fontes.

Os projetos que venho desenvolvendo ao longo do tempo são frutos de trabalhos coletivos. A união do nosso Movimento junto ao Consulado Sergipano do Poetas Del Mundo; do Movimento Cultural Abrace, representado em Aracaju por Luiz Lyrio; da Arcádia Literária; da Cia. De Teatro Stutifera Navis e Casa Rua da Cultura, lideradas por Lindemberg Monteiro; da Casa do Poeta de Aracaju, presidida por Ilma Fontes; do Projeto Alma Brasileira, comandado por Sandra Stabile; da AAPLASA- Associação dos Artistas Plásticos de Aracaju, liderada pelo artista Chiko Só; do Projeto Nova Coletânea com Bruno Resende à frente; do Projeto Fala Escritor, liderado por Leandro de Assis; do Círculo Universal de Embaixadores da Paz; do Jornal O Liberal representado por Emerson Maciel; dos agentes culturais Valdeck Almeida de Jesus e Renata Rimet, da mídia sergipana, a exemplo do Jornal impresso CINFORM, TV Sergipe e Aperipê, fazem com que nossos projetos ultrapassem as barreiras da mente e do papel. Com essa união muitos projetos são possíveis!

A partir do próximo mês, estarei iniciando as oficinas de Teatro e Desenho no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, o qual acolhe de forma carinhosa a Arcádia Literária. Esta não é a primeira vez que ministro oficinas nesta área. Adoro trabalhar com os jovens, que assim como eu, possuem muito talento à espera de alguma ação ativadora e incentivadora.

Como você define o Carlos Conrado?
Um cidadão comum de 24 anos, tentando fazer arte em todas as suas vertentes. Seja nas letras – onde mais me encontro, nos palcos, ou nas artes plásticas. Eu sou um sujeito romântico, louco e amigo!... Existe uma música do Raul que diz o seguinte: “O auge do meu egoísmo é querer ajudar.” Grifo esta frase no intuito de expor um grande defeito como profissional ou até mesmo, como um ser no individualismo. Não consigo ser individualista, nem querendo! Gosto de ser diplomático. Atender a todos independente da raça, credo, cor, nação e ideologia. Por ser assim, apareço inúmeras vezes querendo agarrar o mundo com apenas duas mãos, e acabo não conseguindo tanto êxito, é óbvio!…

Nas horas vagas gosto de ler, escrever... é claro! E também gosto de pintar telas, sempre experimentando novas técnicas. Gosto de assistir e produzir filmes, inda que sejam caseiros, mas adoro o campo do cinema, principalmente dos bastidores. Tento colher o máximo de informações possíveis para que, mais tarde, quando eu estiver soltando meu último suspiro, ir em paz sabendo que vivi o máximo de mim.

Enfim, poderia deixar aqui os endereços eletrônicos de suas obras para os leitores acessarem?
http://www.conradoemtextos.blogspot.com/
Facebook: Carlos Conrado Spykezem
http://www.vidasemcartas.blogspot.com/

Pois é pessoal, conhecemos aqui um pouco da vida desse poeta de mil faces, de suas habilidades e de seu amor por tudo que faz. Quero agradecê-lo pela disponibilidade e pelo carinho, tão presente, no trato com as pessoas, sempre. Obrigada.

*Luciana Tannus - Poetisa mineira natural de Belo Horizonte. Atualmente reside em Aracaju-SE. Mantém o blog: http://www.lucianatannus.blogspot.com/

1 comment:

Carlos Conrado said...

Caro amigo a cultura é mais com vc pois sua parceria nos ergue cada vez mais. Obrigado pelo apoio!

Você já leu Memorial do Inferno, de Valdeck Almeida de Jesus?

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VALDECK ALMEIDA DE JESUS nasceu em Jequié, Bahia, em 1966. Jornalista, trabalha, atualmente, como funcionário público, editor de livros e palestrante. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros. Participa de mais de 30 antologias. É organizador e patrocinador do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005. Expõe seus textos no site www.galinhapulando.com

Contato com o autor: poeta.baiano@gmail.com

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