Wednesday, September 16, 2009

Parceria Nova Coletânea com o XIII Concurso de Poesias da Arcádia Literária de Sergipe

Na foto: Carlos Conrado e Bruno Resende Ramos decidindo sobre a parceria

Em acordo firmado durante a 9ª Bienal do Livro da Bahia entre os escritores Carlos Conrado e Bruno Resende Ramos, determinou-se destacar sob forma de publicação o vencedor do XIII Concurso de Poesias da Arcádia de Sergipe nas antologias organizadas pelos Concursos Valdeck Almeida de Jesus e pela Nova Coletânea.
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Anunciamos, desse modo, o vencedor do concurso da Arcádia, concurso que primou pela participação de autores de diversas regiões do Brasil e de Sergipe, bem como pelo bom gosto e pela qualidade poética dos trabalhos que concorreram ao prêmio, ressaltando aqui a iniciativa importante de fomento a produção cultural e o engajamento do seu organizador, Carlos Conrado.
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O poema cujo título é VELHO JORNAL DE AMANHÃ é uma OBRA que merece destaque por trazer no seu tom irônico e crítico uma visão da realidade e as representações que a mesma ganha na mídia. Parabenizamos o escritor - poeta Herbert Sena Silva, natural de Mariana do estado de Minas Gerais, nascido em 13 de maio de 1991 pela bela obra e mensagem que destaca em seu poema. Para conhecê-lo é bom ouví-lo discorrer sobre si mesmo:"... Tenho me dedicado a escrever poemas e a compor algumas músicas. Após alguns anos observando concursos de poesias nacionais, candidatei meus poemas ao XIII Concurso de Poesias da Arcádia, sendo este o primeiro que obtive êxito na máxima premiação".
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O Projeto Nova Coletânea deseja que o poeta continue desenvolvendo seu dom para as artes da palavra e que possa alcançar seus objetivos nesta jornada em que empreende seu talento.
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Herbert estará na nossa nova Antologia "Livre Pensar Literário", representando mais uma revelação do estado de Minas Gerais, sendo natural de Mariana e residindo, atualmente em João Molevade.
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Poesia baiana em Sampa


O escritor Valdeck Almeida de Jesus é um dos participantes do encontro anual dos Poetas Del Mundo.

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A festa literária vai acontecer dia 21 de novembro, na Casa das Rosas, endereço privilegiado da cultura brasileira, organizado por Elisabeth Misciasci, Embaixadora Universal da Paz e Cônsul da cidade de São Paulo dos Poetas Del Mundo. Ali serão debatidos temas relativos ao universo do livro e da poesia. A abertura fica por conta da Dra. Delasnieve Daspet, sub-Secretária para as Américas.
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Valdeck Almeida de Jesus é membro da entidade e vai representar a Bahia. O evento é aberto a todo o público e tem como principal objetivo divulgar obras da literatura brasileira e mundial, além de provocar os participantes a responder: Qual a postura atual do poeta na sociedade; Quais os paradigmas da poesia contemporânea; Qual a colocação da poesia no Mercado Editorial Brasileiro.
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O Encontro da Poesia Paulista e o Encontro Anual do Poetas del Mundo do Estado de São Paulo será uma verdadeira Convenção da Poesia, posta em debate por todos os agentes que atualmente fazem a arte poética ser viável: leitores, editores, livreiros, jornalistas, professores, estudantes, críticos e colunistas literários etc. A interação entre o público e renomados escritores visa ampliar o gosto pela leitura, estimular o intercâmbio cultural e ampliar as fronteiras da arte.
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O Poetas del Mundo é um movimento que pretende impor a voz do Poeta na sociedade, e por isso mesmo todos os membros, Cônsules e Embaixadores estão oficialmente convidados a participar, sendo de São Paulo ou como convidados visitantes, de outros Estados.
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VALDECK ALMEIDA DE JESUS, 43, Jornalista, também é funcionário público, editor de livros e palestrante. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros. Participa de mais de 30 antologias. É organizador e patrocinador do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005. Expõe seus textos no site http://www.galinhapulando.com/ Contato: valdeck2007@gmail.com

Saturday, September 12, 2009

Projeto Pão e Poesia abre inscrições


Em qualquer esquina, em qualquer padaria...

Ao todo serão classificados 102 poemas, divididos em quatro categorias


Estão abertas até o dia 30 deste mês, as inscrições para a segunda edição do “Pão e Poesia – em qualquer esquina, em qualquer padaria” – projeto que consiste na impressão de poemas e obras de artistas plásticos em embalagens para pão. A iniciativa, além de abrir espaço para novos escritores, visa aproximar as obras poéticas do público, despertar o gosto pela leitura e o interesse das pessoas pela poesia, fazendo a literatura circular.


Idealizado pelo artista mineiro Diovvani Mendonça, o projeto está sendo viabilizado por meio do 1º Prêmio Pontos de Mídia Livre do Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura (MINC) em parceria com o Instituto Aprender Profissionalizar (organização não governamental), sediado em Belo Horizonte.


A exemplo de 2008, os saquinhos de papel, apropriados para contato com alimento, serão produzidos no conceito *CARBO-NEUTRO, neutralizando assim as possíveis emissões de gases de efeito estufa (GEE) - aliando arte e responsabilidade ambiental.


“Além de incentivar a leitura e a produção de textos poéticos entre os cidadãos, nosso objetivo é também conscientizar e incentivar os proprietários de padarias na redução do uso de sacolas plásticas”, enfatiza Diovvani.


Os poemas selecionados, num total de 102, serão publicados em 120 mil embalagens e doadas, preferencialmente, às padarias das periferias da Capital e das cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). O projeto é aberto ao público em geral e cada participante poderá se inscrever com até três poemas, nas seguintes categorias:


Haicai: poemas de três versos
Trova: poemas de quatro versos
Soneto: poemas de 14 versos
Verso livre: poemas de até 30 versos


Os organizadores esperam receber um número superior ao da edição anterior, quando o projeto recebeu quase duas mil inscrições, vindas de vários estados brasileiros, de Portugal e Itália.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail paoepoesia2009@gmail.com até o dia 30 de setembro (quarta-feira) de 2009. Ou pelos Correios, com data de postagem até o dia 25 de setembro. Acesse o regulamento nos sites http://www.paoepoesia.org/ e http://www.iaprender.blogspot.com/.

*CARBO-NEUTRO foi concebido para neutralizar total ou parcialmente qualquer atividade humana, seja, profissional, empresarial, industrial, administrativa ou cotidiana, que pode ser ligada direta/indiretamente aos produtos ou serviços que a empresa ofereça ao mercado, a processos, ações próprias ou terceirizadas. O programa ainda permite neutralizar viagens ou locomoção de executivos e funcionários, canais de distribuição, atividades de comunicação, promoção e eventos próprios ou patrocinados, e se estende a consumidores, funcionários e colaboradores que tenham interesse pela adesão.


Wednesday, September 09, 2009

Nova Coletânea: últimos dias para inscrição

O projeto Nova Coletânea está editando seu novo livro denominado "Livre Pensar Literário".

Você novo autor e membro colaborador do projeto de inclusão literária está convidado a participar da 5ª antologia temática.
Nova Coletânea recebeu convite para expor o livro na Bienal de Sergipe no fim deste ano. Será uma grande alegria para todos cumprir um circuito de inclusão em que novos estados e diversas regiões do Brasil, Argentina e Portugal participam.

Desde 2005 estamos nesta estrada e já vislumbramos tempos melhores em nossa jornada. Muitos têm acreditado em nosso ideal e vêm unindo forças seja na divulgação, na disponibilização de espaços e no trabalho voluntário.

O projeto não chegaria aonde chegou sem a cobertura eficiente da imprensa local e regional e a divulgação de escritores parceiros em seus blogs e no envio de fotos, comentários e material informativo.

Agradecemos O Jornal "Folha da Mata" de Viçosa, a TV Viçosa, afiliada da TV Educativa do Rio de Janeiro, o Jornal Regional Canal 13, a Câmara Bahiana do Livro (CBaL), a WebCitizen, a Redação da Assaz Atroz (Pressaa), Mariano P. Souza, Valdeck Almeida de Jesus, Carlos Conrado (Arcádia Literária, Aracaju) e todos os escritores das últimas antologias.

Esta semana informaremos quem são os autores homenageados da próxima edição.

Bruno Resende Ramos

Nova Coletânea - Projeto de inclusão Literária
http://www.novacoletanea.blogspot.com
E-mail: brunoteenager@gmail.com

Ato poético pela Paz na Bienal do Livro

O Instituto Imersão Latina fará um sarau durante o lançamento do Nós da Poesia com o nome: "Ato poético pela paz" com noite de autógrafos.

O dia 11 de setembro é um dia para lutar pela paz no continente americano. Foi nesse dia quando a ditadura militar de Pinochet se instalou no Chile de forma sangrenta, em 1973 e mais recente, em 2001, milhares de pessoas morreram durante os ataques às torres gêmeas, em Nova York, Estados Unidos. Nós poetas da Paz e da Poesia acreditamos que não há motivo para se travar guerras, a pulsão de vida do amor deve se sobrepor a da morte, que espalha tanta violência. Escolhemos a força construtiva dos pacificadores.

Autores da antologia por ordem alfabética: Angela Togeiro, Aníbal Albuquerque, Avelin Rosana, Bilá Bernardes, Brenda Mars, Carmem Cristal, Cláudio Márcio, Clevane Pessoa, Dimythryus, Filipe Marks, Graça Campos, Helenice Rocha, Iara Abreu, JéssicaAraújo, Karina Campos, Lívia Tucci, Lucas Guimaraens, Luciana Campos, Luciana Tannus, Luiz Lyrio, Marco Llobus, Maria Moreira, Marta Reis, Nina Reis, Neuza Ladeira, Regina Mello, Rosângela Ferris, Silvia Motta, Soninha Porto, Tânia Diniz, Rosa Pimentel, Roberto Bianchi, Terezinha Romão, Vagner Santo e Vicente Ferrer.

A montagem fotográfica ao lado foi feita por Bilá Bernardes, Cônsul de Poetas del Mundo de Minas Gerais, que também revisou o livro junto com Clevane Pessoa e Brenda Mar(que)s (organizadora da edição).

A ilustração da capa é criação da artista plástica Iara Abreu e arte final Coletivo Contorno.
Mais informações:
Brenda Marques Pena

Escritores baianos em sarau poético


Por: Valdeck Almeida de Jesus

Com o objetivo de unir os novos escritores baianos e incentivar a escrita, a publicação e o lançamento de livros, disseminar informações pertinentes à literatura e ao mercado editorial, o Projeto Fala Escritor foi criado pelo poeta Leandro de Assis, com a colaboração de Carlos Souza, Fau Ferreira, Monique Jagersbacher e Valdeck Almeida.

A programação contará com recital poético, lançamento de livros e antologias dos novos autores baianos e palestras pertinentes ao universo literário. Ao completar um ano de projeto, os poemas recitados em cada edição farão parte de uma antologia a ser lançada, tanto no projeto quanto nas escolas públicas do estado.

No primeiro encontro, teremos a palestra "Como Publicar um Livro", ministrada por Valdeck Almeida de Jesus, além da programação abaixo:

Recital Poético:
-Alexandre Amaral
-Renata Rimet
-Carlos Conrado
-Betânia Uchoa
-Elionedson
-Railton Teixeira -Cordel
-Carlos Alberto Barreto
-Leandro de Assis
-Grigório Rocha
-Nickie Jagersbacher
-Nádia Cerqueira, Buzzy de Carvalho e Nara Góes apresentam: Renascer Poético

Palestra:
Palestra: Marketing Pessoal Para Escritores - Carlos Souza

Participação Musical:
Carlos Ventura e Rick Vieira

Lançamentos:
Antologia Alma Brasileira - Sandra Stabile (Organizadora)

Serviço:
O que: Fala Escritor
Onde: Saraiva Mega Store do Salvador Shopping
Avenida Paralela, s/n° - Salvador/BA
Quando: 12 de setembro de 2009, às 18 horas

Contatos:
Leandro de Assis
(71) 8831-2888

Fontes:

Friday, September 04, 2009

Leitura: Atividade Solitária ou Solidária?

Foto: Bruno R. Ramos, Laé de Souza (ao centro) e Valdeck Almeida de Jesus

Uma coisa é certa: ler é, na maioria das vezes, uma atividade solitária, mas, nos últimos tempos, eu a tenho compreendido, inequivocamente, como uma ação extremamente solidária.

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Imagino como seria minha vida sem a leitura... Por certo que ainda precise quase sempre de bastante silêncio ao meu redor ou estar retirado, fora do convívio dos outros, para desfrutar melhor de sua prática, contudo foi ela que me tornou um ser mais sociável e me abriu caminhos para chegar até o outro, assim como de outros encontrarem coisas comuns, idéias que os fizessem também aproximarem de mim.

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E foi nesta busca incessante pelo fazer melhor que , com a ajuda do grande poeta e ativista cultural Valdeck Almeida de Jesus, encontrei um ícone da nossa cultura, um grande trabalhador, autor de inúmeros projetos de leitura em nosso país. O seu nome? Laé de Souza.

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Para quem ainda não teve o prazer de conhecê-lo faço saber da sua extensa contribuição ao universo literário. Laé de Souza é escritor, dramaturgo, produtor cultural, bacharel em Direito e Administração de Empresas, autor de várias obras e projetos que incentivam a leitura. Podemos destacar entre eles os projetos Encontro com o Escritor, Ler é bom, Experimental, Lendo na escola, Minha Escola Lê, Leitura no parque. Um cidadão incomum na dedicação ao leitor e a cultura. Todo o seu trabalho é feito com grande carinho e amor e, por isso, torna a leitura um hábito prazeroso. O principal objetivo do artista é despertar o interesse pela leitura e desenvolver a sua criatividade. Laé foi um grande incentivador do projeto Nova Coletânea.

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Encontrando-o na Bienal da Bahia, dedicou alguns minutos de sua atenção ao projeto, dando-me conselhos e apontando caminhos. Em seu depoimento, a alegria de estar motivando o hábito da leitura e a continuidade do projeto que já tem uma grande estrada percorrida. Muito tem feito pela causa literária.

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O seu projeto "Lendo na escola", iniciado há mais de sete anos, alcançou mais de 400 escolas em todo o país, tendo ele imensa receptividade dos profissionais de educação. Testemunhei o seu sucesso na grande feira da Bahia. Cercado de crianças, pais e familiares dos seus leitores - mirins, Laé, com grande prestimosidade os atendia. É claro que fez este aspirante sonhar com um Brasil leitor, nação de homens e livros como também quis Monteiro Lobato. Do mesmo modo confesso que as ações da Nova Coletânea, apesar de serem tão modestas, também me trazem essa satisfação e, mesmo com as dificuldades que me cercam como organizador não me desanimam.

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Vamos no passo a passo, mostrando que muito além da gente há pessoas que já trabalham pelo Brasil afora, levando incentivo à leitura e à prática consciente do bem servir a nação.

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Em nome de todos aqueles que desenvolvem ações neste âmbito, agradeço a Laé de Souza pela sua persistência, seu carisma e imensa contribuição à educação do país.

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Página do autor Láe de Souza: http://www.projetosdeleitura.com.br/

Telefones: (11) 2743 - 9491 e 2743 - 8400Rua José Neto Júnior, 108

03584 - 070 - São Paulo SP
Fonte: Nova Coletânea

Tuesday, September 01, 2009

Fragrâncias e Ordenhas Historiais em “As Espirais de Outubro”, Romance de Whisner Fraga

“Mas não se preocupe, meu amigo/
Com os horrores que eu lhe digo/
A vida realmente é diferente/
Ao vivo é muito pior...”

(Belchior)

Aila, personagem principal narradora-memorialista do romance “As Espirais de Outubro”, ora no passado, ora no presente, ora no futural (o Nobel de Literatura brasileiro), ora um sem tempo ou tempo nenhum, o que dizer dela? Implicações, reinações, florações. Respigando. Paradoxos, ossos e ócios do oficio de ler-ser-escrever-ter-se (tecer-se). Brilhante romance como se fosse escrito a ferro e afago; escrito como uma espátula impressionista a arrancar fios, recalques, tiras, simulações, descaminhos, espirais – da vida-obra-livro: Aila ela mesma no fim do seu íntimo outonal.

Tantos personagens-páginas vão e voltam, estão e soam, dizem, costuram elementos-paisagens e assim compõem a estrutura narrativa do belo romance do Whisner Fraga, já autor de Coreografia dos Danados (Edições Galo Branco 2002), e A Cidade Devolvida (7 Letras, 2005). A intimidade devassada pela velha escritora em um apartamento no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. O nome do bairro já alude a um rasgo de incêndios revisitados pela ótica da narradora-personagem querendo assim alumiar resquícios de vida louca, personagem de si mesma em agonia a esperar um fim, sem ter se dado um fim em si mesmo, preferindo prolongar a agonia de viver no que escreve, mesmo negando isso. Nas reminiscências ficando a sua espécie assim de continuação... Como se ordenhasse as ovelhas das memórias recapituladas em prosa poética, mas com estilo, qualificação, ora desbunde, ora rancor, sempre o que foi (tem sido) naquilo que agora expropria entre erranças associadas, heranças historiais e inventários de si mesma no camarim das horas e honras indispostas. Penumbras.

A melhor obra é quando o próprio autor morre no final? Mortos acompanham a obra de Aila/Whisner. Um cortejo de palavras, tristices, corpos, danações. Fantasmas pontuando parágrafos como se querendo compor lidas adjacentes, a colocarem pingos em dáblios, não em is. O apartamento. A cidade. Tudo ali, vida em viço, o inicio, a composição de, depois o estado decrépito, erros e acertos, fragrâncias e decomposições. O câncer, o Nobel, o diário-romance (reinventando a vida em declínio?), lembrando aqui e ali Clarice Lispector, ora Hilda Hist, ora Lygia Fagundes Telles, mas sempre ele mesmo Whisner com talento e maestria levando a correção do livro e à corrosão de uma vida-personagem enlivrada. O diabo mora nos desfechos? Mergulhos em maldições. A coitada da vez tendo voz-escrita. Não tem como não se encantar com Aila. A mulher carregando a violência, quase incapaz de domá-la, no entanto com trejeitos peculiares costurando-a nas contações, domando, por fim, a ordenha de momentos, fragmentos, destilos, despojos, jorros narrativos da feia e fera se entregando de mão beijada. Tem um toque poético e um jeito que cutuca um enfoque meio Nelson Rodrigues em certas paragens-interpretações do sentimento ledor, da existência-monstro-poderoso com brincadeiras e perversidades. Ai de ti Botafogo!

A espera pela morte, da morte. Familiares reduzidos a momentos e sentenças. Amigos catados de escombros, e ainda assim dando alguns suportes afetivos. Personagens-relações transfigurados, compondo o cenário de amor, dor e de horror com reticências. Será o impossível? O ar abafadiço estaciona na memória requentada. Os vazios da rotina. O livro-filho-continuação. Presenças e ausências ressentidas. Janelas da alma no quarador de tantas implicações, alguma de fundo falso. Lugares fechados, sombrios. Pés enxofrados das palavras-libertações. O mesmo lugar, lugar nenhum, qualquer lugar em si mesmo.

Você, na correria estúpida da vida in Sampa também embrutecida, quer ler o livro do Whisner Fraga de supetão, não consegue. É corrompido a ler como um desgaste de ferrugens da alma da Aila, é levado a parar, truncar, ir e voltar, rever, como se arrancasse suas próprias espirais e tivesse que adentrar àquele mundo criado lento, devagar, aos poucos, na prosa poética que seduz, cativa, aponta dedos em faces que ora chegam, ora saem, entrecortando parágrafos como se tudo fosse uma balburdia literal de acasos, ocasos e pertencimentos querendo ser avaliados, feito desespelhos. Memórias sangram palavras. Não é fácil procurar culpados, pior, achá-los. Não se podendo parir um filho, poder parir um livro, não deixando um legado de horror-filho mas um legado de reconciliação-livro. Escrever continua sendo mais fácil do quem existir.

O pai, a mãe, Augusto, Catarina, Karina, Adriano, Fabrícia, todos (presenças arrebanhadas), a cara e a corrosão da autora-Aila em parecenças. Iguais diferentes? Cada um com sua cruz-crusoé, ilha-alheamento. Nós. Suicídio, indiferença, a faca da linguagem cegando, instantes-trevas. Vaidades antigas, corpo em desalinho, embriagações em memórias talvez inventadas. O ser-não-ser? Clandestinos amores, ecos, zelos, não há lógica na mortevida, no destino, apenas capitulações, vestígios de ausências, exercícios de perdas. A morte sendo preparada em livro. A freira, o homossexual, a vida boêmia, o Rio de Janeiro continua límpido. Entre sombras amealhando curtumes. O diário-monólogo, o último ato antes de. Qualquer coisa. Espirais. Maldições e coitados tendo voz. Por eles, por Aila mesmo, em recomposições a espera do final que certamente virá. Melancolia. Sentimento de esterilidade frente ao que passou, se passou (se passou?), foi, está, virá, é cruz-destino. A campainha. O telefone. A vida-fera e o recolhimento antes do último suspiro. Veias de comunicações in-terrompidas...

“...a cidade decadente, cinza, com suas baías comprometidas, fétidas, os rios acuados no meio de uma civilização agressiva, o mal que fizemos escancara-se por todos os lados” (Pg 36). Os poros da Aila ela mesma essa cidade que narra. Não pode sair de si, mas pode expandir-se no que corajosa destila, escreve, nomeia, delata, conta, romanceia na metalingüística de escrever sobre o que descreve. O desmanche de coisas que não quer que migrem para o vazio. Escrever é ficar de alguma maneira entre rascunhos e escritas-momentos?

Carcaças agônicas preenchendo vazios. Não ser esperada e não esperar. Muito triste. Escreve para se ter consigo mesma. Ah o self.

“A morte se aproxima e polvilha sobre a minha cabeça todas as faltas arrebanhadas, exige um balanço final ou um prelúdio para o encontro fatal, quando me cobrarão erros” (Pg 52). A longevidade desastrosa, as situações obsessivas, conflitos, filtros de. Um romance sobre a escrita dele. Memórias vasculhadas. Rascunhos e originais. A preparação para o desfecho bendito/maldito. Os loucos são especiais pra Deus? Há um Deus? Viver é a qualquer custo? Sobreviver tem um preço, dói desatinadamente. E re-eescrever o subViver, feito mesmo assim um escreViver? Prazer Prozac de viver? A consciência do Zero.

“Essa palavra tão banalizada, nada pode acrescentar à história que não seja dúvida” (PG 108). Nomeações que seriam (foram) imprudentes. Pondo o dedo com indisfarçável rancor (negado) em feridas revisitadas. Consciência pesada e vaidade leve. O querer não querendo. O desdizer. O negar afirmando. Contundências. O desgosto de lembrar, pior, ter que lembrar para auditar (auditar?) o que foi real e o que deveria ter sido, poderia ter sido, só o é no que nomina sob disfarces e a expectativa do fim, no camarim da vida se extinguindo...

“Como explicar ao filho o mecanismo do patinete? A escolha do galho da goiabeira mais propício à construção do estilingue(...)” (Pg 122). O futuro na morte resgatando a obra que ficou... O filho que não teve (drumondeando) e fez-se livro?

Um Dia, pré-final: romance misturando descrições e evocações, imaginário e aventuroso, contradições, o alterego, licenças poéticas, tudo tirado do mesmo final. Feliz ou infeliz? Ler pra saber. Isso fica com a sensibilidade atiçada do leitor no envolvimento, ele também um reinventor do que lê, pelo que pensa, sente, aquilata, do que tem de bagagem e gosto por leituras de peso. O romance As Espirais de Outubro é sim, um clássico. Um esgotamento de sensibilidade depois das páginas-lágrimas, vidas-personagens, verdadeiros espirais do talento e da sensibilidade do Whisner Fraga, num trabalho também de edição de belíssima qualidade sob a Coordenação Editorial do Valentim Facioli. Leia e sofra. Leia e viva. Leia e grude. Leia e curta. Leia e sinta por você mesmo. Leia e deguste o final do romance que na verdade não se enquadra assim a priori em estilo nenhum, é um trabalho literário mágico falando das incongruências da vida levada a reboque. Dor e agonia. Criação e criatura. Ah que bom que, assim como o passado tem asas, o escritor tem uma linguagem edificante, toda própria. O fazer falando do fazer. Todo bom escritor é isso: esperar que o leitor de alguma forma e por um seu motivo também morra no final. Saí mais leve dessa leitura-vida-e-morte. Em algum lugar do passado, em algum lugar do presente, aqui no livro-lugar do futuro. Ah as espirais do tempo-rei...

Silas Correa Leite – Escritor, Jornalista Comunitário, Teórico da Educação, Conselheiro em Direitos Humanos, pós-graduado em Arte e Literatura na Comunicação (ECA/USP) - E-mail: poesilas@terra.com.br
Blogue: www.portas-lapsos.zip.net Autor de “Campo de Trigo Com Corvos”, Contos, Editora Design, finalista do Prêmio Telecom, Portugal, à venda no site www.livrariacultura.com.br

Você já leu Memorial do Inferno, de Valdeck Almeida de Jesus?

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VALDECK ALMEIDA DE JESUS nasceu em Jequié, Bahia, em 1966. Jornalista, trabalha, atualmente, como funcionário público, editor de livros e palestrante. Publicou os livros Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden, Feitiço contra o feiticeiro, Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia, 30 Anos de Poesia, Heartache Poems, dentre outros. Participa de mais de 30 antologias. É organizador e patrocinador do Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005. Expõe seus textos no site www.galinhapulando.com

Contato com o autor: poeta.baiano@gmail.com

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